Instituição de ensino:

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Programa:

Economia Política Internacional

Autor:

Debora Garcia Gaspar

Titulação:

Doutor

Ano de defesa:

2015

Link:

Não disponível

Resumo:

A tese busca analisar as relações entre a mudança do padrão monetário internacional, os conflitos distributivos nacionais e a cooperação monetária europeia, a partir da reversão do paradigma de condução da política econômica nos países centrais, do pleno emprego para a estabilidade de preços, após a escalada inflacionária que se segue ao fim da Golden Age. São examinadas as diferentes formas de projeção hegemônica dos Estados Unidos, no Sistema Monetário Internacional (SMI), e seus desdobramentos em termos da cooperação na Comunidade Econômica Europeia (CEE), mediada pelas configurações sociais de seus membros. A mudança do padrão monetário do ouro-dólar, em 1971, para o dólar-flexível relaciona-se ao pressuposto da primazia, na potência hegemônica, conferida à autonomia de política econômica, junto à manutenção da posição privilegiada de sua moeda. A cooperação monetária europeia, por sua vez, é analisada a partir de dois aspectos: da inserção da CEE nos referidos padrões monetários, bem como, da contestação dos mesmos; e da forma por meio da qual o conflito distributivo se acirra e é resolvido nos países europeus, impactando na cooperação. Em relação à mudança do padrão monetário, examinam-se as discussões internas, nos Estados Unidos, referentes ao papel do dólar no SMI e às possibilidades de reformá-lo, às prioridades da política econômica doméstica, e às iniciativas de cooperação monetária na CEE. Já esta última é analisada a partir dos conflitos distributivos nacionais, focando na mudança da cooperação, de um projeto de matizes keynesianas, no início dos anos 1970, para a formação de uma "zona de estabilidade", no final da década. A análise destes processos é realizada por meio do exame de documentos americanos, referentes à interface entre as dimensões internas e externas das questões monetárias, envolvendo, sobretudo, autoridades monetárias (Federal Reserve e Tesouro) e de política externa (Departamento de Estado e Conselho de Segurança Nacional). São analisadas também correspondências diplomáticas entre as autoridades dos países centrais sobre o tema, em nível executivo e ministerial, além das atas de reuniões entre os mesmos. A cooperação monetária na CEE é investigada a partir de fontes secundárias, nas quais se busca elementos de comparação entre os dois momentos da mesma, que levam em conta as diferentes configurações do conflito distributivo nos países-membros. Os resultados indicam uma relação entre a afirmação do novo padrão monetário e de um novo pressuposto sobre seu funcionamento – baseado não mais na cooperação, mas na manutenção de condições econômicas domésticas estáveis –; o fim da contestação à sua assimetria; e o novo entendimento sobre as bases da cooperação monetária na CEE. Finalmente, predições que viam na renovada cooperação monetária europeia, no final dos anos 1970, um ímpeto para se desafiar a hegemonia americana e para se reabrir as discussões sobre a reforma do SMI, não se sustentam. Na documentação consultada, predomina a continuidade do apoio geral dos Estados Unidos à cooperação.

Orientador:

FRANKLIN LEON PERES SERRANO

Palavras-chave:

Dólar; Sistema Monetário Internacional; Cooperação Monetária Europeia; Conflito Distributivo