Instituição de ensino:

Universidade Federal Fluminense (UFF)

Programa:

Estudos Estratégicos da Segurança e da Defesa

Autor:

Jose Claudio Oliveira Macedo

Titulação:

Mestre

Ano de defesa:

2012

Link:

Não disponível

Resumo:

As teorias de Relações Internacionais, como as que tratam de decisão em crise internacional, são predominantemente do ambiente anglo-saxão. Uma vez que autores, como Hermann (2001) e Cervo (2008), sugerem haver a tendência desse fato carregá-las de uma ótica própria de sua origem, pretendemos verificar seu poder explicativo para uma crise de ambiente distinto de suas origens. O nosso foco recai sobre a realidade sul-americana quando escolhemos a crise das Malvinas/Falklands, de 1982, entre Argentina e Reino Unido. A intenção é verificar a capacidade das teorias de captar na sua explicação o contexto da realidade dessa crise, além de identificar possíveis influências do contexto de origem das teorias nessa capacidade. Mostraremos, inicialmente, o desenvolvimento dos estudos do fenômeno "crise", a partir da conjuntura da Guerra Fria e do ambiente anglo-saxão, para situar, num momento mais recente, as duas teorias a serem testadas. São elas a teoria informal da democracia, de Kenneth Schultz (2001), e a teoria dos incetivos políticos, de Bruce Bueno de Mesquita et al. (2003). O método empregado nos testes é o de rastreamento de processo, para verificação dos mecanismos causais que sustentam as previsões teóricas frente à realidade da crise apontada. Investigaremos as causas das falhas explicativas pela análise dos pressupostos explícitos da teoria, bem como pela comparação com alternativas explicativas para o caso em estufo. Ao mesmo tempo, inspirados em Cervo, examinaremos a possibilidades de elementos ligados a valores e visão de mundo na formação das teorias influenciarem suas capacidades explicativas. Os testes mostram que ambas as teorias assumem pressupostos explícitos que desconsideram fatores contextuais capitais para as decisões tomadas na crise entre a Argentina e Reino Unido, perdendo poder explicativo para este caso. Veremos, também, que tais resultados possuem indícios da influência de pressupostos implícitos ligados a valores próprios da cultura política estadunidense, calcados no paradigma da paz democrática. As simplificações de racionalidade decorrentes da utilização nas teorias do instrumental do ator racional parecem exacerbar a influência desses valores, contribuindo para que os pressupostos explícitos teóricos percam aderência à realidade da crise em estudo. Nossas considerações finais apontam para a necessidade da flexibilização de teorias com tal paradigma e do emprego da conhecida diversidade teórica como essencial para evitar a adoção de simplificações convenientes e atrativas, em especial por parte dos governos. Além do mais, ressaltam a importância de realidades como a nossa - a sul-americana - enfatizarem uma postura crítica nas análises teóricas, como sugerido por Cervo.

Orientador:

VAGNER CAMILO ALVES

Palavras-chave:

malvinas/Falklands; Crise Internacional; Teste de Teoria; Kenneth Schultz