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FUNAG promoveu seminário para comemorar o centenário do diplomata e economista Roberto Campos 

A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), com organização do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), realizou, em 18 de abril, na sede do Palácio Itamaraty do Rio de Janeiro, o seminário “Roberto Campos: O homem que pensou o Brasil”. O objetivo foi o de comemorar o centenário do diplomata e economista Roberto Campos (nascido em 17 de abril) e resgatar a trajetória intelectual do homenageado. Participaram da mesa de abertura, entre outras personalidades já inscritas como palestrantes, o atual diretor do Centro de História e Documentação Diplomática (CHDD), embaixador Gelson Fonseca e a ex-presidente da FUNAG, embaixadora Thereza Quintella. O diretor do IPRI, ministro Paulo Roberto de Almeida, destacou a importância de Roberto Campos e apresentou a ordem dos trabalhos nos quatro painéis previstos.

Na primeira mesa de debates, sobre a figura de Roberto Campos enquanto “intelectual”, os palestrantes fizeram uma reflexão sobre os escritos e as teses defendidas pelo diplomata-economista. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ernesto Lozardo, relatou suas relações pessoais com Campos, discorreu sobre sua tese de mestrado, defendida na George Washington University em 1948, e anunciou que está concluindo um livro sobre o pensamento econômico do homenageado. As críticas de Roberto Campos à Constituição brasileira de 1988 foram lembradas pelo presidente da Academia Internacional de Direito e Economia, Ney Prado. Já a comparação entre Campos e liberais franceses foi tema defendido pelo professor da Faculdade Arthur Thomas, de Londrina, Ricardo Vélez-Rodríguez. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Reginaldo Perez, o que mais se destacou no diplomata foi o seu “perfil modernizador”. Fechando o primeiro ciclo de debates, o professor da Universidade de Brasília (UNB), Eduardo Viola, analisou a evolução do pensamento liberal de Campos, numa primeira fase combinada à sua propensão a crer no papel organizador do Estado, com ênfase no planejamento, postura depois superada por uma adesão integral à liberdade dos mercados.

O jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, abriu a segunda mesa de debates, cujo tema foi a atividade “parlamentar” de Roberto Campos; ele discorreu sobre a atuação de Campos no Congresso Nacional (Senado e depois Câmara), definida pelo próprio homem público como “uma sucessão de derrotas”. O professor da UNB e consultor legislativo, Antônio José Barbosa, relembrou os discursos memoráveis proferidos por Campos em ambas as casas. O lado mais intelectual do diplomata foi relembrado pelo professor e assessor legislativo, Paulo Kramer, que estabeleceu uma comparação entre Campos e o intelectual francês Raymond Aron.

A terceira mesa, que discutiu o lado “estadista e modernizador” de Campos, foi iniciada pelo ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, segundo o qual enfatizou que críticas de Campos ao Plano Real foram importantes para o sucesso do processo de estabilização. O ex-diretor do Banco Central e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Roberto Castello Branco, destacou a atualidade das ideias econômicas que Roberto defendia, inclusive para a atualidade. Por fim, o economista Rubem Freitas Novaes relatou a importância que o diplomata teve em sua formação de economista.

A atuação de Roberto Campos na diplomacia foi assunto da última mesa, sua atuação como “diplomata”. As palestras iniciais foram proferidas pelos embaixadores Marcilio Marques Moreira, ex-ministro da Fazenda, e Vitoria Alice Cleaver, presidente da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB). Ambos trabalharam com Roberto (em Londres e em Washington, respectivamente) e salientaram aspectos de sua personalidade e de sua capacidade de reter talentos em sua equipe.

O gestor do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Rogério Souza Farias, fez uma comparação da atividade diplomática de Campos com outros diplomatas de sua geração. O último palestrante foi José Mário Pereira, editor da Topbooks, relatando como foi sua experiência como o homem, assim como sua relação com o memorialista, bem como a satisfação que teve em ser o editor de “A Lanterna na Popa”.

O encerramento teve a participação do embaixador José Jerônimo Moscardo de Souza, ex-presidente da FUNAG, e os agradecimentos a todos feitos pelo diretor do IPRI, ministro Paulo Roberto de Almeida. Durante o seminário, as memórias de Roberto Campos estavam disponibilizadas pela editora Topbooks, ademais de dois outros livros preparados especialmente para o centenário: Paulo Roberto de Almeida (org.), O Homem que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Editora Appris, 2017) e Ives Gandra da Silva Martins; Paulo Rabello de Castro (Orgs.). Lanterna na proa: Roberto Campos Ano 100 (São Luís: Resistência Cultural, 2017). O presidente da FUNAG, embaixador Eduardo Moreira, fez o prefácio do primeiro livro e contribuiu com artigo para o segundo.

Fotos: Carla Zago

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