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RAUL FERNANDES

DISCURSO DE POSSE*

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

27 DE AGOSTO DE 1954

 

 

Realizou-se hoje, às doze horas, no Palácio Itamaraty, a cerimônia de transmissão do cargo ao novo ministro das Relações Exteriores, embaixador Raul Fernandes. Na ausência do professor Vicente Rao, retido em São Paulo por motivos de saúde a transmissão da pasta foi feita pelo ministro Vasco Leitão da Cunha, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. 

Depois de assinalar que a dedicação e o descortinio do professor Vicente Rao o haviam feito credor da admiração e do respeito do pessoal do Itamaraty, o ministro Leitão da Cunha se fez intérprete dos sentimentos da Casa em relação ao embaixador Raul Fernandes. A presença de sua excelência, neste momento, à frente da nossa chancelaria, era uma garantia de respeitabilidade e de confiança, capaz de projetar uma influência tranquilizadora no ambiente interno e no campo internacional. Todo o pessoal do Itamaraty, concluiu, estava a postos para servir o novo ministro no desempenho da grande tarefa que o aguardava. 

Em resposta, o ministro Raul Fernandes declarou que, fossem outras as circunstâncias, poderia afirmar que era com alegria que voltava ao Itamaraty, do qual se afastava, aliás, uma personalidade destacada, o ministro Vicente Rao, que soubera demonstrar, na direção de nossa política exterior as qualidades de inteligência e dedicação que todos lhe reconhecem. Conhecia os elementos com que podia contar e sabia que poderia encontrar um ambiente de colaboração e de amizade. No momento, entretanto, ao invés de alegria, preferia falar em confiança, e era com esse sentimento que retomava a direção da nossa chancelaria. Os problemas que o Brasil tinha que enfrentar eram imensos. Como um enfermo, o país teria que sujeitar-se a um verdadeiro processo cirúrgico, que restabelecesse sua saúde perdida. Caso o doente recalcitrasse, temeroso da operação, era de prever um resultado fatal. Era preciso que os brasileiros, em todos os setores da atividade nacional, compreendessem claramente a gravidade da situação e não medissem sacrifícios pessoais, para o bem do Brasil. Era esse o espírito que esperava pudesse predominar no Itamaraty, e era com essa consciência das responsabilidades que começaria a trabalhar em seu novo posto. 

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* Nota: a tradição de o ministro das Relações Exteriores proferir discursos de posse iniciou-se no período republicano. Muitas vezes, no entanto, eram realizados de improviso, inviabilizando uma transcrição fidedigna. No caso da posse do ministro Raul Fernandes, proferido no Palácio Itamaraty em 27 de agosto de 1954, o Ministério das Relações Exteriores redigiu uma nota à imprensa parafraseando o pronunciamento. O documento está disponível no Maço Temático 45.518 do Arquivo Histórico da instituição.

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